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sábado, 26 de março de 2011

Tudo o que você precisa saber para montar seu home studio

Tudo o que você precisa saber para montar seu home studio

1 - O DAW (Software de Gravação - Digital Audio Workstation)

A primeira coisa que deve ser definida quando for montar sua Workstation de gravação é em qual DAW você vai gravar. É importante que você escolha um software com recursos profissionais suficientes para uma boa mixagem e edição.

Antes é importante esclarecer: Não é o DAW que define a qualidade do áudio, mas sim os equipamentos, e principalmente os conversores, que no caso são a interface. Isso é para derrubar o mito de que: "o Pro Pools é que tem som profissional". Isso não existe, na verdade o Pro Tools (como qualquer outro DAW) não tem som de nada, ele apenas registra o som recebido pelos seus conversores (placa de som) no seu HD.

Escolha bem sua interface:


- Pro Tools
O DAW mais famoso do mundo, em razão de ser o mais utilizado em estúdios de grande porte. A grande vantagem dele é a qualidade dos plug-ins disponíveis, pois alguns dos melhores plug-ins só existem para Pro Tools, embora isso já tenha mudado muito. A desvantagem é que o programa somente é compatível com duas marcas de interface (Digidesign e M-Audio) e, além disso, muitas pessoas tem dificuldade em aprender a manuseá-lo.

- Cakewalk Sonar
O DAW mais utilizado em home studios. A grande vantagem é o grande número de plug-ins gratuitos disponíveis na rede, além de ser considerado muito intuitivo e compatível com praticamente qualquer interface, até mesmo placa de som on board. A desvantagem é que mesmo aceitando plug-ins VST, ainda na última versão dele são apresentados alguns problemas com o processamento VST.

- Cubase ou Nuendo
Embora a Steinberg não goste de colocar dessa forma, o Nuendo é uma espécie de evolução do Cubase. Eles competem de igual com os outros dois DAW's citados e são muito populares, principalmente, na Europa. A vantagem é a leveza do software e eficiência com sequenciamento MIDI. A desvantagem é que esses programas possuem configurações mais complexas e, consequentemente, exigem um pouco mais de conhecimento em informática.

2 - Intefaces

Esse é o ponto crucial. O equipamento mais importante! É o responsável por transformar o sinal analógico em sinal digital e o envia para o seu computador. Bons conversores geram grandes gravações e conversores ruins geram gravações equivalentes.

Existe a possibilidade de se começar a gravar utilizando uma placa som comum não profissional, como essas on board. Porém, é preciso tomar alguns cuidados:

Os equipamentos profissionais (mesas, prés e interfaces) em regra trabalham com sinal balanceado, enquanto os equipamentos domésticos utilizam sinal simples.
O sinal balanceado é aquele dividido em duas vias, sendo uma das vias com a fase invertida. Esse processo tem a finalidade de assegurar um sinal de melhor qualidade e livre de ruídos.

Quando o sinal balanceado é enviado para um input não balanceado o resultado costuma ser desastroso! Mas isso pode ser corrigido através de um editor de áudio, como o SoundForge ou outro similar. Basta eliminar um dos canais e, se for o caso, inverter a fase do canal aproveitado.

Mas, voltando às interfaces profissionais, atualmente, os grandes fabricantes estão tendendo a lançar interfaces multitracks com mesas ou prés integrados. Isso é uma grande vantagem. O raciocínio é simples. Quando a sua mesa ou seus prés estão integrados na interface existe menos interferência no sinal e isso reduz consideravelmente o risco de ruídos e perda de qualidade do sinal. Essas interfaces são extremamente recomendadas para Home Studios.

Outro fator de extrema relevância, principalmente para bateristas, é o número de canais disponíveis na interface. Considerando que para gravar uma bateria em alta qualidade é recomendado microfonar cada um dos tambores utilizando um mic e um canal independente para cada peça, vamos tratar das placas de 8 ou + canais.

Outra opção, para quem não pretende adquirir uma placa tão cara, é trabalhar com uma placa de 2 canais e gravar a bateria toda com um único mic, ocasião em que recomenda-se escolher um mic de grande sensibilidade (condensador), flat e com larga resposta de freqüência (vide tópico dos microfones).

Além disso, existem outros parâmetros a serem considerados na hora de escolher sua placa. Verifique os drivers compatíveis, se possuem chips DSP (digital signal processor), que auxiliam o seu CPU para processar plug-ins.

P.S. Sempre verifique no site dos fabricantes a compatibilidade das interfaces com sistemas operacionais e DAW's antes de comprar.

Alguns modelos e marcas de interfaces:

- Digidesign Digi 003

Interface externa perfeita para quem quer trabalhar com Pro Tools, pois tudo é integrado. Contém conversores e prés de altíssima qualidade e até faders motorizados. Porém, isso tudo custa muito caro! A desvantagem é a incompatibilidade com outros DWS's.



- M-Audio Delta 1010LT

Interface PCI básica e bastante popular de 8 canais de entrada por 8 de saída. Ela possui apenas 2 prés, de modo que você vai precisar de uma mesa com saídas line out ou de mais 6 prés para utilizar todos os canais com microfones simultaneamente. O custo da mesa pode fazer com que a placa deixe de ser interessante.



- M-Audio Fastrack Ultra 8R USB

Esse modelo da M-Audio revolucionou os sistemas de Home Studio, pois possui 8 prés de alta qualidade integrados, embora não tenha todos os recursos de uma mesa. Isso reduziu muito o custo final da interface e a tornou extremamente compacta e imune a ruídos externos e perda de sinal. A grande vantagem dessa interface é a compatibilidade com o Pro Tools e com praticamente todos os outros DAW's conhecidos no mercado. É importante frisar que a M-Audio é a única interface não fabricada pela Digidesign que é compatível com Pro Tools.



- Line 6 Toneport UX8 USB

Inspirada na M-Audio Fastrack Ultra 8, a Line 6 Toneport UX8 USB é outra grande opção. Muito semelhante ao modelo citado acima da M-Audio. É mais uma alternativa.



- Alesis Multimix 16 USB

Acredito que seja o melhor custo benefício do mercado, pelo o que li sobre ele. Ainda não tive a oportunidade de gravar com essa placa. Por praticamente o mesmo preço da M-Audio Fastrack Ultra 8R USB pode-se adquirir uma interface de 16 canais analógicos, com 8 prés e com todos os recursos de uma mesa de som convencional.



3 - Mesas de Som

Se você optou por adquirir uma placa/interface com mixer ou prés integrados, pule este tópico. Mas, caso você tenha comprado uma interface mais simples, está na hora de escolher sua mesa ou seus prés.

O fundamental para que uma mesa possa ser utilizada em uma gravação multitrack é que a mesa possua entradas XLR (3 pinos - para microfones) e saídas direct out em cada um dos canais. Essas saídas é que permitem enviar o sinal dos canais de forma separada para cada um dos canais da placa ou interface. Sem isso não é possível transmitir os canais de forma individualizada.

Repare nas saídas direct out localizadas na vista traseira da mesa Phonic.





Até mesmo pela dificuldade em se encontrar mesas pequenas com saídas direct out em todos os canais, a interface com prés integrados se mostra mais eficiente e econômica para Home Studios.

Alguns Modelos de Mesas e Prés indicados para Home Studios:

- Behringer

Conhecida como a responsável pela engenharia reversa dos produtos Mackie, a Behringer produz ótimos mixers com preços acessíveis.



- Phonic

Assim como a Behringer, ganhou muito mercado pela reputação de qualidade com baixo custo.

- Mackie

Uma mesa clássica, de altíssima qualidade e cara. Para poucos sortudos!

Mesa Phonic



4 - Microfones

Como a proposta é gravação em Home Studio, vou poupar de falar sobre os micofones clássicos (muuito caros) e focar em mics que apresentam boa relação custo x benefício, o que é mais adequado para o conceito de Home Studio.

Antes de adentrar ao modelos e marcas, é importante saber como escolher um microfone antes de comprar.

Pois bem, primeiramente, é necessário separar os microfones em dois grupos Dinâmicos (menos sensíveis) e Condensadores (mais sensíveis).

A partir daí, define-se a aplicabilidade de cada coisa. Por exemplo, como estou escrevendo para bateristas, vamos supor uma gravação de batera, onde seria aconselhável utiliza um ou dois mics condensadores na posição de overalls, mais um condensador no hi-hat e mics dinâmicos nos tambores. Isso porque nos pratos e no ambiente se espera uma sensibilidade maior na captura das frequências.

Outro parâmetro importante para a escolhe de um microfone é o padrão polar, que pode ser: Cadióide, SuperCardióide, HiperCardióide, Bidirecional (figure 8) ou Omnidirecional. Esse parâmetro representa o raio de atuação do microfone, ou seja, a sensibilidade direcional, se é mais focado ou mais amplo.

Padrões Polares

Exemplo de padrão polar aplicado no microfone


Alguns microfones, como clássico AKG C-414 possui diversos padrões polares, podendo o usuário selecionar o mais adequado para cada ocasião.

MIC AKG C-414



Um exemplo prático, para os tons, mics dinâmicos cardióides são bons, pois normalmente não se espera que esse mic capture muito além do som dos tons. Já para capturar a ambiência, na posição overall, o HiperCardióide é bastante recomendado, por ter um raio de captura mais amplo.

Por fim, deve-se sempre atentar para a resposta de freqüência do microfone, o que normalmente pode ser encontrado nos sites dos frabricantes, que é um gráfico que demonstra a sensibilidade do microfone nas diversas regiões de frequências (baixas, médias e altas). Por exemplo, para o bumbo, espera-se um microfone com alta sensibilidade de freqüências baixas.

Gráfico de Resposta de Frequência:


Mas, falando dos equipamentos, selecionei algumas marcas e modelos indicados para Home Studio, por aliarem preço baixo e qualidade.

- Marshall

A Marshall MXL basicamente só produz microfones condensadores. Alguns modelos:










- CAD

A CAD é uma marca reconhecida internacionalmente como profissional, e produz microfones de custo moderado que podem ser encontrados em Home Studios e ao mesmo tempo em grandes estúdios. Alguns modelos:

O clássico EQ 100



Kit de mics para bateria



- Samson

Embora a Samson não tenha grande tradição no desenvolvimento de microfones, ultimamente vem produzindo excelentes mics com baixo custo final. Alguns modelos:

C01


Kit de mics para bateria


- Audio-Technica

A referência da Audio-Technica é a mesma da CAD.



Exemplo de mic condensador com freqüência de resposta destacada nas altas, muito indicado para captação de pratos ou overall. Behringer C-2



5 - Monitores

Os monitores são os responsáveis por proporcionar uma boa mixagem e permitir que se ouça com fidelidade o que é gravado.

Existem basicamente dois tipos de monitores: os ativos e os passivos.

Os ativos, mais comuns atualmente, possuem amplificador interno, enquanto os passivos necessitam de um amplificador para seu funcionamento. Até aí não temos nenhuma diferença muito relevante entre um tipo e outro, exceto o custo e espaço físico ocupado pelo equipamento.

Em relação à potência, os monitores de 2 x 20 watts rms (20 por canal) atendem perfeitamente as necessidades de um Home Studio, mais que 30 watts rms por canal seria exagero. Amplificadores menos potentes que isso podem não reproduzir adequadamente as frequências mais baixas, pois essas demandam mais potência.

Observação: Cuidado com os headphones, pois por melhor que sejam eles sempre maqueiam o som e nunca substituem a função dos monitores. Até mesmo pela engenharia envolvida na construção de um headphone e na caixa acústica que se forma com o encaixe do phone na orelha. O headphone é muito útil quando aliado a um par de monitores.

Mas é claro que nada deve ser encarado com radicalismo. Enquanto não se puder comprar um bom monitor, o headphone é um excelente paleativo.

Existem monitores e monitores. Hoje em dia, parece que virou moda em estúdios trabalhar com monitores que embelezam o som. Isso se deve ao que chamamos de curva de loundness, que é uma compensação das freqüências baixas e altas em relação às médias. Esse efeito é extremamente agradável aos ouvidos, mas não traduz com fidelidade o som real. Que saudade dos monitores Yamaha NS-10.

Yamaha NS-10


Alguns modelos de Monitores indicados para Home Studio:

- M-Audio AV40

Bastante popular pela forma flat com que reproduz o som, potência moderada, e custo médio.



- Samson Resolv e StudioDock

Boa opçao e a mais econômica de todas.
StudioDock



- Behringer Truth Monitor

É um excelente monitor, mas tenho algumas reservas pessoais, pois acho que ele embeleza o som. Isso é apenas um ponto de vista, mas o produto é muito respeitado no mercado.



Tudo o que foi colocado aqui não deve ser encarado como regra absoluta ou dogmas, pois a produção musical é feita, antes de qualquer coisa, de criatividade e inovação.

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